Resignificando o condicionamento religioso
A revelação da Kabbalah sobre o verdadeiro significado do Salmo 118 traz uma Luz imensurável que é capaz de dar novos significados a todo condicionamento religioso que você cultivou por tantos anos
Raziel ben Avraham
6/1/20265 min read


A Desconstrução do Condicionamento Religioso através da kabbalah: Uma Análise Hermenêutica do Salmo 118:26
Resumo O presente artigo analisa a interpretação cabalística do Salmo 118:26, contrastando-a com as interpretações dogmáticas tradicionais estabelecidas historicamente. Através do exame da gematria, da estrutura da Árvore da Vida e da análise do Tetagrama Divino (YHVH), explora-se como o conhecimento esotérico propõe uma mudança de paradigma: a transição de uma consciência "caída" e condicionada para o estado de "Israel" — definido como uma conexão direta com o divino. O estudo detalha a mecânica da manifestação da alma no mundo físico e a importância do domínio sobre o mundo interior (pensamentos, emoções e energia sexual) como via para a superação do karma.
1. Introdução: O Salmo 118:26 sob a Ótica do Sod
O Salmo 118:26, tradicionalmente traduzido como "Bendito o que vem em nome do Senhor", é apontado como um dos textos mais mal interpretados da história. Enquanto a hermenêutica cristã convencional, consolidada a partir do Concílio de Niceia, classifica esta passagem como um salmo messiânico referente a uma figura externa, a Cabalá aborda o texto através do Sod (segredo), revelando uma tecnologia espiritual para a libertação da consciência. A análise cabalística sugere que o "vir em nome do Senhor" refere-se, na verdade, ao processo de descida da alma dos mundos espirituais para o corpo físico, portando o conhecimento das leis universais.
2. Fundamentação Numérica e Gematria Aplicada
A estrutura do Salmo 118 carrega códigos numéricos que servem como "espinha dorsal" para o entendimento de sua mensagem oculta. A numeração do versículo (118:26) não é considerada uma coincidência cósmica, mas uma pista direta do Altíssimo. O Número 118: A soma dos algarismos (1+1+8) resulta em 10, o que remete às 10 Sephirot da Árvore da Vida, as emanações através das quais o Criador manifesta a realidade. O Número 26: Este valor corresponde exatamente à gematria do Tetagrama (YHVH). No hebraico, as letras Yud (10), He (5), Vav (6) e He (5) somam 26. Dessa forma, o salmo estabelece uma conexão direta entre a Árvore da Vida e o nome divino, indicando que a "bênção" mencionada no texto está intrinsecamente ligada ao domínio dessa estrutura energética.
3. A Árvore da Vida como Matriz da Alma Humana
A Cabalá ensina que o Tetagrama (YHVH) não é apenas um nome, mas um diagrama que representa como a alma humana se manifesta no mundo físico através do corpo.
Yud (Y): Relaciona-se ao mundo da Emanação (Atzilut), abrangendo as Sephirot Keter e Chokmah. É o nível do subconsciente onde as ideias e símbolos mentais brotam.
He (H): Representa o mundo da Criação (Beriah), associado a Binah. É o intelecto que decodifica os símbolos em pensamentos.
Vav (V): Corresponde ao mundo da Formação (Yetzirah) e às seis Sephirot emocionais (Chesed a Yesod). Este nível transforma pensamentos em desejos e vontades.
He final (H): Refere-se a Malchut, o mundo físico ou a "Casa do Senhor" (Beit).
O processo de "vir em nome do Senhor" implica que a alma entra no mundo físico através de uma "porta" (Dalet ou Delet, associada a Malchut) e deve buscar o caminho de retorno, escalando as 10 Sephirot para se reconectar com a sabedoria divina.
4. Israel: O Estado de Consciência Direto com o Divino
Um dos pontos centrais da discussão é a redefinição do conceito de "Israel". Longe de ser apenas uma designação étnica ou geográfica, "Israel" é apresentado como um estado de consciência. A palavra Israel, quando permutada, forma a expressão Yashar El, que significa "direto com Deus". O indivíduo que atinge esse estado é aquele que corrigiu suas "crenças limitantes" e "paradigmas religiosos", permitindo que a luz divina flua sem obstruções através de suas Sephirot.
4.1. O Povo do Segol e a Trindade Atômica
Israel é também chamado de "povo do Segol", em referência à vogal hebraica composta por três pontos. Essa simbologia reflete a base da matéria e da Árvore da Vida, estruturadas em três pilares: a coluna da direita (misericórdia/próton), a da esquerda (rigor/elétron) e a central (equilíbrio/nêutron). O estado de "Israel" permite que o ser humano suba acima das influências do karma (administrado pelo sistema astral de Elohim) ao exercer o controle consciente sobre seus pensamentos e ações.
5. A Engenharia do Mundo Interior e a Superação do Karma
O artigo propõe que a realidade é criada a partir de um ciclo vibracional. Pensamentos, que são descritos como "entidades autônomas", geram gatilhos emocionais que culminam em ações no mundo físico. Se os pensamentos são negativos, a vibração resultante sobe ao cosmos e retorna como "caos" ou eventos negativos na vida do indivíduo.
5.1. O Tzimtzum Mental e a Sexualidade (Yesod)
Para interromper esse ciclo, é necessário aplicar o Tzimtzum (restrição), criando um espaço para que a consciência assuma o controle antes que o pensamento negativo se transforme em emoção. Além disso, o domínio sobre a sexualidade é apontado como o fundamento (Yesod) para o progresso espiritual. A energia sexual, quando desperdiçada em relações puramente "animais" ou sem consciência, alimenta as Kliphót (cascas de negatividade), resultando em escassez e bloqueio das bênçãos divinas.
6. Crítica Histórica: O Condicionamento do Concílio de Niceia
A análise aponta que a interpretação messiânica do Salmo 118 foi uma construção política e religiosa consolidada no Concílio de Niceia (325 d.C.), sob a presidência do imperador Constantino. Argumenta-se que essa estrutura institucional suprimiu livros (como os encontrados na Bíblia Etíope, como o Livro de Enoque) e alterou termos — substituindo o Tetagrama pela palavra genérica "Senhor" — para exercer controle social e político. Esse "condicionamento mental religioso" impediria a humanidade de acessar a verdadeira sabedoria da Árvore da Vida e de assumir a responsabilidade pela criação da própria realidade.
7. Conclusão
A compreensão profunda do Salmo 118:26, sob a perspectiva cabalística, revela que a salvação não é um evento externo ou póstumo, mas um processo de libertação da consciência do "Egito" — um simbolismo para o estado de domínio do ego e dos paradigmas limitantes. Ser "bendito" e "vir em nome do Senhor" significa dominar a tecnologia do Tetagrama, desobstruir os canais espirituais (Sephirot) e agir com consciência direta (Yashar El). De acordo com as fontes, a transformação interna é a única via para que a misericórdia divina se manifeste de forma ininterrupta e matemática na vida do praticante.
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